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Pelican ©Marfa Capodanno

Depois de vários anos afastados das edições discográficas os Pelican regressaram este ano com o excelente Nighttime Stories, editado em Junho passado com selo Southern Lord Recordings, e é esse mesmo álbum que os faz andar numa digressão que passa muito em breve pelo nosso país, para um concerto único no Porto, inserido no Amplifest.

Nighttime Stories é o primeiro disco que editam em seis anos. Como é que se sentem por poderem finalmente mostrar um novo trabalho?

É um sentimento fantástico finalmente conseguirmos documentar estas canções. Lentamente temos andado a adicionar estas músicas nas nossas setlists, conforme as vamos acabando de escrever, então de ano para ano e de pouco em pouco temos podido partilhá-las com o público. Mas obviamente que o processo de criar e partilhar um álbum que pode ser ouvido por todo o Mundo é muito diferente. Sentimos imensa gratidão pelas pessoas que têm ouvido e gostado do disco.

Em seis anos muita coisa aconteceu nas vossas vidas e foram esses altos e baixos que vos trouxeram até aqui. Este é um disco que representa fielmente esse período de tempo? Como é que descreveriam este álbum?

Os nossos discos são sempre um reflexo do período das nossas vidas em que são escritos; a banda existe como um meio de expressão emocional que se estende além do que somos capazes de transmitir no nosso dia a dia e, de certa forma, acaba por funcionar como se fosse o nosso diário.

Este conjunto de canções foram escritas num longo e variado período de tempo, mas há definitivamente temas em comum que emergem ao longo delas, especificamente lidar com a tristeza e incerteza. O luto foi um motivador especialmente poderoso após várias mortes inesperadas de familiares e amigos; é, claro, incrivelmente doloroso, mas a intensidade disso tem um efeito poderoso de despertar em ti o quanto a vida é preciosa e significativa. Este álbum é uma mistura desse esplendor e desespero.

É também o primeiro disco que fazem com a participação de Dallas. Como é que correu o processo de composição? Mudou algo na forma como trabalhavam?

Esta formação da banda já gastou mais tempo em palco a actuar do que na sala de ensaios. Isso fez-nos ver que o nosso método antigo de escrita a pares, em que depois levávamos mais ou menos as canções terminadas para os outros aprenderem e reorganizarem, já não funcionava.

Essas sessões não conseguiriam captar a vibe que esta formação desenvolveu. Em vez disso acabámos por escrever a maior parte do disco em conjunto – trazendo uma ou duas pequenas ideias que depois decidimos todos a direcção que deviam tomar. Como a banda está espalhada geograficamente isso acabou por abrandar o processo de escrita, uma vez que não nos conseguíamos juntar de forma regular, mas sentimos que isso fez uma melhor e mais honesta representação desta era da banda.

 

 

Então, com essa distância geográfica a atrapalhar um pouco, decidiram ir para estúdio apenas quando sentiram que as músicas estavam terminadas ou houve espaço para as trabalharem depois?

Para além de termos tocado a maioria das canções ao vivo todas foram escritas e transformadas em demo antes de entrarmos em estúdio. Duas delas foram submetidas a rearranjos bastante radicais, mas essas eram experiências mais em aberto pela forma como foram escritas, por isso estávamos preparados para essa situação quando fomos para estúdio.

Não tínhamos tocado a maior parte das canções do Forever Becoming antes de o termos gravado e, ao ver como elas evoluíram para um ritmo mais natural depois das termos apresentado em digressão, foi um incentivo para deixarmos esse processo acontecer com estas canções antes de as gravarmos, para que elas tivessem algum espaço para respirar e se acomodar naturalmente na sua pele.

Voltaram a trabalhar com o Sanford Parker neste Nighttime Stories. Sendo alguém que já vos conhece, de que forma é que ele ajudou a moldar o disco?

Sempre tivemos uma visão bastante claro daquilo que queríamos alcançar em estúdio, por isso o mais importante para nós era encontrar alguém que soubesse ajudar-nos a articular este som e, em cima disso, nos fizesse sentir confortáveis. O Sanford é agora um amigo, dentro e fora do estúdio, há muitos anos. A sua paciência connosco e o seu conhecimento de como lidar com as nossas idiossincrasias foram perfeitas para nos ajudar a captar a nossa visão.

Agora que o disco está editado presumo que o plano seja sair para a estrada e apresentá-lo ao vivo. Como banda que já leva uns bons anos de carreira e com mais motivos para vos “prender” em casa, torna-se mais complicado estar estes períodos de tempo fora?

Os álbuns são documentos importantes, mas estas canções são entidades vivas que devem existir numa realidade ao vivo. Extrair tempo da nossa vida doméstica normal e deixar a família para trás é difícil, mas a música é a expressão mais pura do que fazemos, por isso é essencial para nós descobrir ao máximo como o podemos continuar a fazer.

 

 

Se calhar é algo que acaba por vos tornar mais selectivos nas datas e digressões que aceitam, ou não?

Devido às limitações da nossa disponibilidade temos que ser o mais objectivos possível com as marcações dos nossos concertos. Tentamos tocar no máximo de locais possível e espalharmo-nos o quanto nos é possível, mas sempre dentro dos limites da praticabilidade e habilidade.

Se não estou em erro a primeira e última vez que estiveram em Portugal foi em 2007, com concertos em Lisboa e no Porto. Lembram-se de algo dessas datas? O concerto no Porto aconteceu num barco transformado em bar…

Sim, ambos os concertos foram memoráveis, particularmente o do Porto. Desta vez vamos tirar um dia de folga para aproveitar a cidade e estamos ansiosos por estabelecer novas memórias.

Por falar nisso, em breve aterram por cá para mais um concerto, mais uma vez pelas mãos da Amplificasom, e vão tocar no já
esgotado Amplifest. Que expectativas têm para esse concerto e o que podemos esperar dele?

Estamos entusiasmados por fazer parte do Amplifest. Vamo-nos entregar de corpo e alma a esta actuação e estamos totalmente abertos à possibilidade de uma catarse partilhada com quem nos estiver a ouvir.

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