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Conjunto!Evite

O novo álbum dos Conjunto!Evite, Se Isto É Um Disco, ficou ontem disponível e é um conjunto de canções que pinta um actual retrato fiel da banda.

Se ainda não o ouviram ou se já e querem descobrir um pouco mais sobre ele, as linhas em baixo podem ser uma boa porta de entrada.

 

Podem-nos falar um pouco sobre o que se pode esperar de Se Isto É Um Disco?

Sobre o novo álbum, o que podem esperar são as diferentes facetas do Conjunto!Evite. Temos temas instrumentais, canções, uma balada, e muita viagem. Quisemos juntar num álbum o que achamos que fazemos melhor, música que apele aos sentidos, e que represente aquilo que nós os cinco somos, jovens portugueses do centro do país que de há uns anos para cá coabitam na capital sempre com saudade dos vales e paisagens do Ribatejo.

De onde surge o curioso título?

Surge inicialmente de um trocadilho que o Sebastião arranjou com o livro escrito por Primo Levi, “Se isto é um homem”, que trata da vida dos prisioneiros judeus nos campos de concentração e na humanidade em si. Se Isto é Um Disco porque nos questionámos sobre a essência do formato de edição de música nos tempos que correm, a questão dos singles, do streaming, editar cd’s quando muitos computadores, carros e aparelhagens já não têm leitores. Se Isto É Um Disco por ser um conjunto de músicas apenas, ou um conjunto de músicas que representam num todo um conceito maior. Um conceito de trabalho, forma de viver a vida e maneiras de representarmos o que nos é próximo.

Este é um álbum que vem sendo anunciado há já algum tempo, com previsões de edição para o ano passado. O que vos levou a ir adiando este lançamento?

Principalmente fomos muito optimistas nos prazos. As músicas na sua essência já estavam feitas e gravadas no início de 2018, mas entre concertos e adaptar os arranjos de quarteto para quinteto com o regresso do Fábio, optamos por ir trabalhando nos singles um a um para termos tempo para as coisas saírem com brio e com um vídeo a acompanhar. Depois foi acabar misturas, trabalhar no design para a capa e fechar preparativos editoriais.

 

 

De certa forma isso deu-vos tempo para ir “testando” alguns temas. Fauno chegou-nos ainda em 2017, seguiu-se Controla a Paranóia e mais recentemente O Lead É Que Decide. Como é que tem sido o feedback do público a estas novas canções?

Sim, andamos a rodar metade do novo álbum desde 2018 mais ou menos. E tivemos até um concerto no Caldas Late Night de 2018 na casa da Su, onde tocamos o repertório todo, uma hora e quarenta mais ou menos, uma loucura. Nos concertos deu para testar tudo o que tínhamos de testar antes de fechar as músicas. O nosso público a quem nós mandamos um grande abraço, tem reagido muito bem, gostam da nova cena e têm angariado muita gente que nos desconhecia, para os concertos e para Spotify e afins. Também temos angariado cada vez mais amigos na estrada e temos confiança para continuar a levar a nossa música onde quer que ela seja bem vinda.

O Lead É Que Decide está inclusive incluído na colectânea de 2018 dos Novos Talentos Fnac. Embora ache que quem faz música, ou arte no geral, o deva fazer em primeiro lugar para si, a verdade é que estas conquistas devem trazer algum ânimo extra, ou não? Como é que surge esta oportunidade?

É claro que as conquistas nos trazem um ânimo extra, foi muito bom para nós e ficámos muito contentes de ter uma música disponível em todas as Fnacs do país, leva o nosso nome a um maior número de pessoas, e em parte é isso que queremos. A oportunidade foi timing, já tínhamos tentado entrar com o Fauno para a edição de 2017 mas já tinham as listas completas. Passado uns meses surgiu um convite do Henrique Amaro para entrarmos na edição de 2018, e enviámos O Lead É Que Decide, ele curtiu e depois foi trabalhar num vídeo para sair mais ou menos na mesma altura em que saiu a colectânea Novos Talentos Fnac.

Têm acompanhado estas músicas com os respectivos vídeos. É importante também esta componente visual para aquilo que querem transmitir com as vossas canções?

Sim, é importante porque pensamos principalmente com os olhos. É mais fácil entender uma narrativa através de uma sequência de sons e imagens do que apenas com sons. Temos tido uma ajuda preciosa do Miguel Show nesse aspeto, ele deu corpo às nossas ideias e embarcou connosco na tarefa árdua de fazer um stop motion e uma animação. ficamos muito contentes com o resultado, só queremos continuar a experimentar porque nos deu muito gozo e deu para dar outro enquadramento às músicas.

 

 

Repartiram as gravações entre os estúdios A Casinha e o vosso BKK. Quando é que surge a ideia de criar um espaço vosso e o que é que imaginaram para ele? A ideia é que se torne em breve no quartel general da banda e que isso também vos dê uma certa liberdade para criar à vontade sem qualquer tipo de restrições?

A ideia surge de necessidade de ter um sítio em Lisboa para ensaiar. O BKK é um conjunto de oito amigos que precisavam todos de uma sala para ensaiar, ou de uma regie para produção. Procuramos muito na internet até acharmos o local exacto com as condições realistas para podermos alugar por um longo período de tempo. A oportunidade surgiu no princípio de 2017, e desde então temos estado a construir um local de trabalho com duas salas de ensaio e duas regies, que passou a ser quartel geral do Conjunto!Evite mas também de bandas como os Cahombo, Melquiades, Quarto Quarto, Ornitorrinco, Jonh Boys e outras que aparecem para ensaiar de vez em quando.

Perguntavam na vossa página de Facebook se um primeiro riff pode agarrar alguém da mesma forma que uma primeira linha nos puxa para um livro. Nós achamos que sim, mas qual é a vossa opinião sobre isto? Vem-vos à memória alguma música que vos tenha cativado assim ao primeiro riff?

Nós também achamos que sim, em relação às músicas e aos livros. Aquela primeira página ou os primeiros trinta segundos de uma canção são o suficiente para querermos continuar ou perder o interesse. Bem, talvez Back in Black dos AC/DC, Livin’ it up dos Limp Bizkit, Foxey Lady do Jimi Hendrix e Payback do James Brown.

Em breve vão começar a apresentar ao vivo este próximo álbum. A primeira festa acontece em Lisboa, no Sabotage Club, e a partir daí segue para onde, têm já mais algumas datas agendadas? Até onde esperam levar este Se Isto É Um Disco?

Vamos fazer a festa oficial de lançamento no Sabotage Club, no dia 12 Junho, mas dia 8 de Junho vamos à Cine Incrível em Almada e dia 22 de Junho vamos estar em Santarém. Ainda é o começo, queremos com calma levar o disco pelo país fora, levar a música às pessoas e ver o que daí resulta.

Para terminar, se isto não fosse um disco, o que seria?

Uma festa, um concerto, uma inauguração de uma exposição, uma noite de verão, um espectáculo!

 

Se Isto É Um Disco está já disponível para audição e os Conjunto!Evite e a festa de lançamento é no Sabotage Club, em Lisboa, no próximo dia 12 de Junho. Fiquem a par de todas as datas já anunciadas e por anunciar na página de Facebook da banda, aqui.

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