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Birds In Row

Um ano depois de We Already Lost the World fomos descobrir com os Birds In Row como foi recebido este lançamento e aproveitámos para antecipar o regresso da banda a Portugal, eles que são uma das bandas que vão actuar em Outubro no muito acarinhado Amplifest, no Porto.

 

Passou um ano desde que editaram We Already Lost the World, que balanço fazem destes doze meses?

Tem sido incrível. Temos recebido muito boas respostas sobre o disco e tivemos a oportunidade de fazer 140 concertos entre a Europa e os Estados Unidos. Parece que as pessoas se conectaram muito profundamente a este álbum e nós não poderíamos estar mais felizes com isso, uma vez que nos deu a oportunidade de ter óptimas conversas enquanto estávamos em digressão!

Este é um disco em que experimentaram e deram alguma preponderância a elementos novos, como a voz limpa, por exemplo. No entanto, sinto que o resultado é bastante honesto e que isso transparece, sentiram em algum momento que podiam alienar alguns fãs com isso?

Qualquer material novo não será para todos. Não podemos dizer ou achar que todos os nossos “fãs” vão adorar a próxima coisa que editarmos. Mas não queremos pensar nisso porque quando escrevemos música primeiro ela é nossa e só depois de a disponibilizarmos é que as pessoas se apoderam dela e tornam-na sua. Por isso, todas as mudanças de que falas são apenas reflexos sinceros daquilo que queríamos fazer nesta altura. Como quando compões uma música e de repente te apercebes que, sem razão aparente, uma voz limpa fica melhor que uma abordagem mais gritada. Felizmente não tivemos más reacções a isso e até tivemos novas pessoas interessadas naquilo que estávamos a fazer!

Em termos líricos é um álbum que puxa muito para o lado político e social, foi uma espécie de marcar de posição e de aproveitarem a voz que têm junto dos fãs para mostrar que o Mundo está ao alcance da reconquista e que podemos ser donos da nossa vida em vez de seguirmos uma rotina imposta?

Love Is Political foi a primeira música que compusemos e em que escrevemos a letra. A partir daí sabíamos que queríamos ter uma mensagem de união. A política está muito dividida quando devia ser sobre pessoas a discutir acerca do bem comum. É uma competição na qual nenhum de nós realmente ganha. Por isso, se todos estamos a perder, porque é que não nos ajudamos uns aos outros de forma a melhorar!?

 

 

Voltaram a trabalhar com o mesmo produtor dos vossos discos anteriores, ou seja, é alguém que percorreu este caminho convosco. Acredito que seja uma vantagem trabalhar com alguém que já vos conhece tão bem, mas acham que eventualmente isso pode fazer igualmente com que caiam numa espécie de rotina no futuro?

Mais do que um produtor, o Amaury Sauvé é um amigo, um dos nossos irmãos e o quarto elemento da banda quando se trata de produzir os álbuns. E tal como nós tentamos não fazer o mesmo disco várias vezes, também ele o faz. Sempre que estamos fora ele continua a aprender e quando voltamos às gravações sentimos que ele evoluiu de forma incrível.

Têm o apoio da Deathwish há alguns anos mas mantém-se numa ética de trabalho DIY. Como é que é gerir este balanço entre aquilo que é o apoio da editora e tudo o resto?

A Deathwish não é uma editora major. Apoiar as bandas significa deixá-las fazer o que querem e oferecer outras opções. E é isso que eles fazem. Então, enquanto nós temos a nossa forma de trabalhar, eles apoiam-na e nós ouvimos sempre o que eles têm para nos dizer. É uma colaboração. Trabalhamos com amigos e é isso que eles são. Só que calha a serem daqueles muito bons amigos que estão sempre lá para nos apoiar.

Uma coisa que admiro bastante no vosso método de venda de merch é que não lhe colocam um preço fixo, as pessoas pagam aquilo que consideram justo. Mesmo que se calhar isso seja um risco, penso que obriga as pessoas a pensar um bocado naquilo que esse apoio representa para vocês e para o futuro da banda, que em última análise é poderem continuar a fazer música e tocar ao vivo. É este um dos motivos que vos levou a optar por esta via?

Quando começámos a banda não queríamos vender merch. Não é para isso que tocamos música. Admirávamos os Fugazi por não terem qualquer tipo de merch mas, infelizmente, não somos um décimo dos Fugazi, e por isso precisamos de ter merch para continuar aquilo que fazemos. Daí termos tentado uma solução intermédia com a qual nos sentimos confortáveis. Começámos por fazer a nossa própria merch e decidimos que não teria preço. Realmente obriga as pessoas a pensar que é um donativo em vez de um acto de consumo. Para além disso, é realmente reconfortante perceber que as pessoas são de confiança. Em dez anos podemos dizer que tivemos mais gente a dar-nos demasiado dinheiro por uma t-shirt que a tentar oferecer um preço mais baixo.

 

 

Agora que já passou algum tempo desde que We Already Lost The World foi editado encontram-se já a pensar no seu sucessor? Estão a trabalhar em novo material?

Sim, vamos começar a trabalhar num novo disco muito em breve!

Em Outubro regressam a Portugal para tocar no já esgotado Amplifest. Estão familiarizados com o festival? Quais são as vossas expectativas para este espectáculo?

Portugal é sempre incrível e estamos muito tristes por não conseguirmos fazer outros concertos à volta das datas do Amplifest. No entanto o festival está brilhante, tem sempre grandes cartazes. Estamos ansiosos por podermos tocar com Daughters, Amenra e Emma Ruth Rundle!

Para finalizar, como é que foi andar em digressão com os Converge e os Neurosis? Aparte de tudo, foi também um momento de aprendizagem? O que é que retiraram desses momentos?

Foi demasiado curto… mas vê-los a tocar todas as noites foi de loucos, especialmente os Neurosis, considerando que nunca esperámos ter a oportunidade de estar em digressão com eles. Ambas as bandas são compostas por algumas das pessoas mais simpáticas e genuínas que alguma vez conhecemos. E ver como são humildes depois de tudo o que fizeram pelos seus géneros musicais…

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